Domingo, 19 de Junho de 2011
Meu nome é Valter dos Santos Neto, tenho 19 anos. Minhas memórias são turvas, talvez por eu ser tão dividido entre o que eu quero e o que eu devo. E continuo escrevendo, depois apagando e escrevendo denovo idéias vazias que vagam na minha cabeça.
O que é verdade? Seria aquilo em que todos acreditam, só porque a maioria diz que é assim?
- "Não é que você dramatize demais, talvez o resto dramatize de menos." Você me disse aquele dia.
E o resto me diz que é mentira. Que eu sou o problema da minha vida. Se for mesmo, então minha vida inteira é uma mentira.
Eu me esforço pra aguentar tudo, ser aquela pessoa que ninguém quer ou tenta ser, simplesmente abrindo mão de tudo por um objetivo. Talvez eu não dê o devido valor ao que eu tenho, ou o que eu tenho não vale nada, mas como saber?
Se eu sou o problema na minha vida, como saber se todas as minhas escolhas até agora são errôneas? Muitas perguntas e nenhuma resposta. Essa é a minha mente na maior parte dos meus dias: perguntas retóricas, sarcasmo, pessimismo e idéias ruins.
Todos os dias eu sonho com realidades perfeitas, onde tudo o que eu quero acontece e no final, tudo vale à pena. Na verdade, a essência de todos os sonhos é isso, valer à pena.
Me sinto em um enorme labirinto, onde eu sempre encontro a mesma encruzilhada, a mesma divisão que sempre me consome por completo.
Deveria eu jogar tudo pro alto e viver ao completo tudo o que penso ser diversão ou arrumar tudo conforme é preciso pra montar uma "Família"? Talvez a origem de tudo seja isso, eu procurei a única pessoa que vive a mesma peça de teatro que eu, que sabe que abrir o coração não é algo simples ou fácil. Mas eu o fiz, vez após vez, mas no final, eu errava, por tentar demais ou de menos, mas errei.
Agora eu me pergunto novamente, é um erro meu? Porque as coisas simplesmente não funcionam da porra do jeito que eu quero?
Esse sou eu, um maldito lixo que chora dia após dia, sozinho e calado, somente por não ser amado da mesma forma que eu amo. Mas que se foda, eu superei, né? É só deixar pra trás, porque os problemas não te deixam pra trás, certo? ERRADO. Gostaria de ouvir de alguém, de algum filho da puta que sai de casa todos os dias pra trabalhar, PORQUE VOCÊ VIVE? PORQUE EU VIVO?
Eu mesmo nunca encontrei a resposta, simplesmente porque não existe motivo em viver sem a porra da emoção, sem amar alguém e ser amado. Existem inúmeras hipóteses que explicam meus ideais tortos e a minha moral questionável. Algumas vezes é tão simples maquiar a verdade, mentir descaradamente e sem remorso nenhum, só pra que aquela pessoa não se decepcione. Esconder a verdade, não deixar que aqueles que perderam a fé em sí mesmos arrastarem os que ainda sonham.
Eu já desmanchei várias ilusões, cada passo em direção ao que eu tanto odeio. EU NÃO QUERO SER COMUM. É um pecado desejar tão forte ser diferente do resto que eu vejo pela janela? Será que Deus está me dizendo que eu não consigo conquistar o que eu quero? Não sou uma vítima, só um ser inconformado com o que existe ao meu redor. Envenenamos o ar, a água, a terra e a nós mesmos todos os dias, gritando nos ouvidos dos pequenos que eles precisam de dinheiro, sucesso e "coisas" pra serem felizes. NÃO, NÃO, NÃO. Eu me recuso a acreditar que o mundo é tão simples, que a vida é tão vazia. Ao mesmo tempo eu não consigo acreditar que se vivermos através de religiões falhas a salvação é garantida.
Todos os conceitos que eu conheço não me agradam, a maioria é ridiculamente fútil e baseada em medo. Morrer é tão ruim assim? Deixar de existir é tão aterrorizante assim?
Quando se tem o que perder é, mas então PORQUE EU NÃO CONSIGO SENTIR ISSO? Qual é o meu maldito problema?
E só de pensar que é tão melhor mostrar que não precisa ser assim, que o mal não é maioria. Eu choro todos os dias de saber que meu melhor não é o suficiente, que eu não atinjo as pessoas assim.
Imagine só, eu saindo e gritando pras pessoas se rebelarem, viverem seus sonhos e buscarem o que querem com todas as forças, lutando pelo que se deseja, lutando pra ser feliz. Ririam de mim.
Mas eu não ligo, podem me apedrejar, mas não vou parar de sorrir nunca, porque eu talhei esse sorriso, eu aprendi que toda a dor é só o preço pra ser feliz. Que quanto mais doer, melhor vai ser depois.
Mas como vou fazer o mundo ver isso? De repente tudo isso se materializou quando eu percebi que ela é o meu mundo. Ela é quem eu quero tanto atingir, aquela que já desistiu de atuar, mas nunca deixou me ver meus atos, por mais ridículos ou bestas, os olhos dela sempre me olharam com a curiosidade que eu tanto procurei.
Mas agora eu entendo, tudo o que eu vejo é o meu reflexo, torto e desajeitado, tentando fazer rir. Tentando desesperadamente arrancar um esboço de sorriso de cada um que conheço, só pra me sentir bem, pra sentir que por menos que seja, eu fiz a diferença.
Mas eu sou tão jovem, como todos me dizem, tenho tanto pela frente. Pra que? Qual o motivo de virar uma marionete dos próprios desejos vazios e quere'res fúteis. Não é suficiente, não preenche o maldito vazio que me inunda. Estranho, mas eu sinto cada vez mais o vazio me tomar, parte por parte, minha vida fica cinza e meu cenário se desmancha.
E sobra eu, Valter dos Santos Neto, 19 anos, um palhaço que só sabe rir, um moleque que só sabe reclamar. E sempre eu lembro daquele dia, onde um colega, um amigo qualquer, me ensinou uma das mais valiosas lições da minha vida, "Mesmo que você pense que não é nada, existe alguém que vai achar que você é tudo."
Maldito desgraçado que disse a frase mais melodiosa ao meu ouvido, simplesmente o que eu rezei tanto tempo pra ouvir de qualquer um.
E minhas esperanças se renovam, só de saber que mais um pensa assim, que eu não estou sozinho no meu palco, que não sou só eu que acredito em algo melhor. É utópico pensar que o mundo pode mudar somente por minha causa, mas não é isso que nos motiva? Porque não podemos ser as estrelas que mais brilham no céu?
Ver portas se fechando, uma após a outra, só confirma tudo o que a voz sussurra no meu ouvido, meu caminho de falhas se estende mais do que qualquer um pode imaginar, mas enquanto eu ostentar um sorriso sincero, ninguém vai saber.
Ninguém precisa saber que o palhaço só quer alguém que o faça rir. Mas ele vai morrer sozinho, esquecido e triste, porque o mundo não vai parar quando olharem em seus olhos.
Ele não tem o direito de ser feliz, ele não pode ser como qualquer um, esse é o preço que eu tenho que pagar. Esse é o caminho que eu escolhi, porque os outros não servem, os outros não deram certo. Eu mudei da água pro vinho inúmeras vezes, só pra descobrir que novamente eu estava errado.
Mas a vida é se levantar após cada queda e, quando eu acordar, todo esse pesar vai me deixar denovo, temporariamente, até encontrar algum detalhe sórdido pra esfregar na minha cara, até aquele sussurro virar um grito.
E esse grito é meu, é a minha voz berrando todos os males pra fora, vomitando as palavras certas pra machucar, porque assim eu tenho certeza que acabou, que eu fechei aquela porta. Hoje, olhando pra trás, não sei mais quais portas eu fechei e quais se fecharam pra mim. Mas não importa, nada disso importa.
No final de tudo, no último dia da minha vida, aí minha resposta vai se formar. E se no final meu melhor não for suficiente, foda-se. O importante é que ela vai ser feliz, ela vai acreditar novamente.
Aos piores vícios que eu pude me jogar
Ás melhores pessoas que eu pude encontrar
Vou sorrir enquanto meu corpo deixar
Tomara que lembrem de mim
Como um garoto que gostava de alegrar.